terça-feira, 15 de dezembro de 2009
RESULTADO FINAL DO 204
RESULTADO_FINAL
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
AOS MEUS QUERIDOS ALUNOS DO 2°04
DOWNLOAD_TRABALHO
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
ATENÇÃO, ALUNOS EM RECUPERAÇÃO
- da apostila 01 (Download 01)
Educação para a Cidadania
A Dívida Externa Brasileira
A nova cruzada contra o Islam
DINHEIRO VINDO DO NADA
- da apostila 02 (Download 02)
O VALOR DA IGNORÂNCIA
SERVE DOR PÚBLICO
O PROBLEMA DO BRASIL É A MÁ DISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA
O VAZIO DA EXISTÊNCIA
Retirem cópias destes e leiam. Fiquem atentos e boa sorte!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
BIBLIOGRAFIA PARA RECUPERAÇÃO DE LITERATURA
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BIBLIOGRAFIA PARA RECUPERAÇÃO
Abaixo estão os links para baixar o material de estudo preparatório para a prova de recuperação em data a ser definida. Qualquer dúvida, entrem em contato.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
ROTEIRO PARA OS FILMES
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Apostila de Literatura 3° Bimestre para Download
terça-feira, 17 de março de 2009
Crônica de Arnaldo Jabor
Crônica do Amor
(Arnaldo Jabor)
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Crônica de Luiz Fernando Veríssimo
(Luiz Fernando Veríssimo)
Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro.
Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências... Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.
— Você não sabe o que me aconteceu!
— O quê?
— Uma coisa incrível.
— O quê?
— Contando ninguém acredita.
— Conta!
— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?
— Não.
— Olhe.
E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.
— O que aconteceu?
E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.
— Que coisa - diria a mulher, calmamente.
— Não é difícil de acreditar?
— Não. É perfeitamente possível.
— Pois é. Eu...
— SEU CRETINO!
— Meu bem...
— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.
— Mas, meu bem...
— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!
E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:
— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:
— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.
Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.
— O mais importante é que você não mentiu pra mim.
E foi tratar do jantar.
(Do livro "As mentiras que os homens contam)
Conto de Luiz Vilela
(Luiz Vilela)
Calor, muito calor ainda — o sol batendo na parede do quarto —, mas ele agora sentia-se melhor.
— Você aqui é como uma brisa...
Ela sorriu, alegre e bonitinha nos seus quinze anos.
— Mais cedo eu tive a visita de uma amiga — ele contou, a cama com a cabeceira erguida: — mas ela é tão feia, tão feia que o meu quadro de saúde até piorou.
Ela riu.
— Quem, tio?...
— Não, isso eu não posso te contar — Por quê?
— Você conta pros outros...
— Juro que eu não conto.
— Só posso te contar isso: que ela é tão feia, que eu quase piorei; quase tive de tomar uma injeção.
Ela deu uma risada.
— Pois é — ele disse; — é isso. Eu estava assim. Mas a. você chegou, e aí eu melhorei; agora eu estou bem...
Sentada numa das três cadeiras do quarto, ela, de shortinho, cruzou as pernas; depois jogou para trás os longos e lisos cabelos castanhos.
— Eu queria vir ontem à tarde — ela disse; — mas a minha professora de inglês trocou o horário, e aí...
— Foi melhor — ele disse, — melhor você ter vindo hoje: ontem eu estava ruim, estava sentindo muita dor ainda.
— Mas a operação correu bem...
— Correu; correu tudo bem, felizmente.
— E o corte, foi grande?
— O corte? Uns... Alguns centímetros. Você quer ver? Você está pensando em ser médica...
— É, eu estou pensando...
Ela se levantou e se aproximou da cama.
Ele, de peito nu, afastou o lençol; depois empurrou um pouco a cueca e...
— Ôp! — cobriu rápido; — o passarinho querendo fugir...
Ela riu.
— Aqui — ele mostrou: — o corte vai daqui ate aqui...
Ela ficou olhando — as tiras de esparadrapo sobre a gaze, a pele vermelha de merthiolate.
— É grande, não é? — ele disse.
Ela balançou a cabeça, concordando
Voltou então a sentar—se.
Os dois calados. Uma tosse de velho lá no fim do corredor.
— Fui te mostrar uma coisa — ele disse, — e você acabou vendo outra...
— Eu? — ela disse. — Eu não vi nada.
— Não?...
— Você cobriu!
— Ah...
— Por que você cobriu?
— Por quê?...
Ela riu:
— Estou brincando, hem tio? Não vai achar que eu...
— Bom — ele disse: — se você quer ver de novo...
— Eu não! — ela disse, olhando assustada para o corredor.
— Não?...
— Não.
— Por quê?
— Por quê?...
Ela riu, mas não respondeu.
— Hum?
— Pra você depois contar pros seus amigos, né?...
— Contar pros meus amigos?...
— Claro — ela disse. — Lá no bar, lá na sua rodinha, depois de tomar umas tantas, você vai dizer: "Sabem aquela minha sobrinha, a Daniela?...”
— Não, não vou falar isso não; não vou falar pra ninguém.
— Sei...
— Palavra de honra.
— Acredito muito...
— Eu prometo. Só nós dois saberemos. Será um segredo nosso: até a morte.
— Hum... Muito bonito...
— Juro. Pode acreditar em mim.
— Você não quis acreditar em mim...
— Eu?
— Agora há pouco.
— Mas aquilo era uma coisa à toa.
— E isso?
— Isso? Bom, isso...
— Hum; o que é isso?
— Eu acho que isso é uma coisa bonita, uma coisa entre um homem e uma mulher; entre um adulto e uma jovem; uma coisa entre um tio e uma sobrinha que se querem.
— Eu, pelo menos...
— Eu também, Daniela; eu também te quero; quero muito, você pode ter certeza.
— Você é o meu tio mais legal, o único de cabeça aberta, o mico com quem dá pra conversar.
— Obrigado...
— Se fossem os outros... Se fossem os outros, eu nem tinha vindo aqui.
— É?
— Tio Breno, por exemplo: Tio Breno mal me cumprimenta; como se eu não existisse. Tio Jerônimo de vez em quando ainda dá umas prosas, mas eu acho que a única coisa no mundo que interessa para ele é boi; ele só fala em boi, e agora na falta de chuva: que se não chover dentro de poucos dias, ele vai perder não sei quantas cabeças de gado e que... Ele só fala nisso. Eu acho que ele nem dorme, pensando nos bois dele...
Ele riu.
— Já a Tia Zilda... Tia Zilda é aquela fera. Ela vive no meu pé. Agora ela deu pra implicar com os meus shortinhos: "Por que essa menina não anda pelada de uma vez?..."
— Ótimo .
— Ótimo?... — ela riu. — Quê que é ótimo?...
— A Zilda falar assim.
— Ah...
— Agora, você andar pelada... Sinceramente: se de shortinho já é isso que a gente vê, pelada...
— Tio...
Ele riu.
— Você está com febre?... — ela perguntou.
— Não...
— Então é o calor.
— Quem sabe?
— Eu nunca te vi assim...
Uma enfermeira passou, em direção ao fundo, e deu uma olhada para dentro do quarto.
A tosse do velho. Um bebê chorando. Vozes. De novo o silêncio.
— Bom, mas então. — ele disse; — quer dizer que você não quer mesmo...
— O quê?
— Ver; ver de novo...
— Não.
— Então tá; fim de papo...
Ela curvou—se para amarrar melhor o cadarço. Depois ergueu o pé, mostrando para ele:
— Que tal? Gostou do meu tênis?
— Gostei. E você, gostou do meu pênis?
— Tio!... — ela disse, se levantando e pondo a mão na boca.
— É só pra fazer um trocadilho...
— Você hoje está impossível, hem?
— Eu não ia perder a oportunidade de fazer esse trocadilho...
— Você hoje... você está precisando de umas palmadas, viu?
— Dá, dá as palmadas; suas palmadas seriam como... seriam como uma chuva de plumas em meu corpo.
— Uai: você agora virou poeta?
Ele riu.
— Você hoje está um perigo...
— Eu?... Que perigo pode ter um homem preso numa cama de hospital?...
— Hum... Muito perigo!...
Ele tornou a rir.
— Você... — ela disse, se abanando com as mãos, os seios saltitando soltos sob a blusa.
A enfermeira passou de volta, sem olhar para o quarto.
— Bom, mas então... — ele disse; — quer dizer que o nosso assunto está mesmo encerrado...
— Que assunto?
— O nosso assunto...
— Está.
— Encerrado?...
— Está.
— Definitivamente?...
— Definitivamente.
— É... — ele disse; — é uma pena...
— Pois é...
Ela então andou devagar até a cama, encostando-se na beirada — as coxas bronzeadas de sol.
Passou a mão de leve no braço dele:
— Tio Leo, Tio Leo...
— O quê
— Não acredite em tudo que eu falo, tá?...
— Não?...
Ela negou com a cabeça.
— Quer dizer que...
Ela sacudiu a cabeça.
— Ótimo... — ele disse.
Olhou pela porta aberta, em direção ao corredor; ela também olhou.
Então ele encolheu as pernas, fazendo com elas uma parede: afastou o lençol, e depois...
— Nossa! — ela disse. — Tio!...
— Pega.
— Pode?...
— Você me daria a maior felicidade.
— Mesmo?...
— Eu seria o homem mais feliz do mundo.
Ela olhou para o corredor
— Está com medo? — ele perguntou.
— Não; eu...
— Pega.
Ela parada.
— Você não quer?
— Quero, mas...
De repente ela puxou o lençol sobre ele.
— Quê que foi?...
— Nada — ela disse, nervosa; — eu que... Desculpe, tio...
— Tudo bem...
Ela foi até a janela e ficou, meio de costas, olhando para baixo.
Da rua, quase sem barulho, veio a buzina de um picolezeiro.
Ela deu um suspiro fundo:
— Tem dia que eu tenho vontade de morrer...
— Por quê?
— Viver é complicado demais...
— É assim mesmo — ele disse.
Ela tornou a sentar-se, as mãos apoiadas nas coxas, o olhar fixo no chão e os cabelos quase cobrindo o rosto.
— Acho que eu já vou...
— Embora?
— É...
— Por quê?
— Eu preciso...
— Fica mais.
— Não posso...
— Fica...
Ela olhou para ele — e de novo para o chão:
— Eu não vou fazer mais nada — disse, com languidez;se é isso...
— Não, não é isso.
— Acho que a gente não devia ter feito o que a gente fez...
— A gente não fez nada!
— Não sei quê que me deu na hora... Às vezes acho que eu não bato bem...
Ele ficou em silêncio.
— Eu...
— Está bem, Daniela — ele disse, ajeitando-se um pouco na cama e depois puxando o lençol até o peito.
— Eu sou uma criança ainda, tio...
Ele sacudiu a cabeça.
— Meu corpo pode não ser mais de criança, mas eu ainda sou uma criança, entende? Eu sou muito inexperiente; eu não sei nada da vida, nada...
— Esqueça o que houve; você esquece, e eu também esqueço. Tá?
— Eu sou uma menina bem-comportada; eu não sou como algumas amigas minhas, algumas que já vão até em motel e...
Ela se calou.
O sol já sumira do quarto, e o calor diminuíra; em breve começaria o crepúsculo.
Ela se levantou:
— Eu já vou: às vezes amanhã, depois da aula, eu dou uma passadinha aqui.
— É melhor você não passar.
— É? — o espanto no rosto. — Então eu não passo.
— Eu acho que...
— Tiau — ela disse, e saiu do quarto.
Ele ficou algum tempo olhando para o corredor.
Depois, estirou as pernas — devagar, para não doer —, estendeu os braços ao longo do tronco e respirou fundo:
— Merda — disse.
Fechou então os olhos, para dormir um pouco. Mas, de súbito, quase num susto, abriu-os: ela estava ao pé da cama, olhando para ele — os olhos vermelhos.
— O que houve?...
— Eu voltei.
— Eu estou vendo.
— Você foi muito rude.
— Rude?...
— Você me magoou muito.
— Eu?..
— Eu vim aqui te fazer uma visita...
Uma lágrima deslizou pelo rosto.
— Eu vim aqui pra...
Limpou com o dedo outra lágrima.
— Eu sei, Daniela, eu compreendo; eu gostei muito de você ter vindo.
— Gostou... Gostou, mas...
— Sabe?... Eu vou te dizer: essa cirurgia, as dores, as injeções, o soro, ficar o dia inteiro nessa cama sem poder mexer direito e, ainda por cima, nesse calor horroroso, tudo isso perturba muito a gente, Daniela...
Ela escutando.
— Tudo isso faz com que... E então... Sabe? É horrível, principalmente passar horas inteiras sozinho nesse quarto, olhando para essas paredes brancas; isso é o pior de tudo. E era por isso que eu queria que você ficasse mais; era por isso...
— Eu fico — ela disse.
— Fica?... Você fica mais?...
Ela balançou a cabeça.
— Que bom...
— Mas tem uma condição — ela disse
— Eu já te falei que é pra esquecer isso, não falei?
— Não, minha condição não é essa...
— Não? Qual que é a condição?
Ela fez uma cara de mistério; deu meia-volta, andou até a porta e afastou com o pé a trava no chão; depois fechou a porta e girou a chave.
Então voltou-se: olhou para ele e sorriu.
— Sabe — ele disse. — Sabe de uma coisa? Você é uma menina surpreendente.
— E bem-comportada; esqueceu?...
Luiz Vilela nasceu em Ituiutaba (MG), em 1942. Aos 24 anos, estreou na literatura brasileira com o livro de contos "Tremor de Terra", e com ele ganhou, em Brasília, o Prêmio Nacional de Ficção. Foi premiado também no I e no II Concurso Nacional de Contos, do Paraná, e recebeu ainda o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, para o melhor livro de contos do ano, com "O Fim de Tudo". Suas obras já foram traduzidas nos Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Suécia, Polônia, República Tcheca, Argentina, Paraguai, Chile, Venezuela, Cuba e México. Outros livros do autor: "No Bar" (contos), "Tarde da Noite" (contos), "Contos Escolhidos", "Lindas Pernas" (contos), "O Inferno é Aqui Mesmo" (romance), "O Choro no Travesseiro" (novela), "Entre Amigos" (romance), "Uma Seleção de Contos", "Contos", "Os Melhores Contos de Luiz Vilela", "Graça" (romance), "O Violino e Outros Contos", "Te Amo sobre Todas as Coisas" (novela), "Contos da Infância e da Adolescência", “A cabeça” (contos) e "Bóris e Dóris" (novela).
O texto acima foi extraído do livro de contos "A cabeça", Cosac & Naify - São Paulo, 2002, pág. 24.
Contos e Crônicas
O ESPELHO DO BANHEIRO
(Yratã G. Mendes)
Lá estava ele, o espelho. Não dizia nada, somente apontava a cara cansada que o observava todo os dias no mesmo horário: 6 horas da manhã. O sono não fora compensador e Cronos não teve seu relógio quebrado. Os deuses gregos são meticulosos e emotivos em suas ações, Apolo elevou-se e o Sol apareceu no horizonte.
A imagem daquele rosto distorcido pelas sombras e a sonolência parecia mais nítida. “Será que sou eu?” perguntava-se mais uma vez ao ver que a vida estava passando bem diante de seus olhos e nada podia fazer. “Será que este rosto ainda vai...” reteve-se ao perceber que sua face e seu corpo ainda murchariam como aquela rosa que esquecera na mesa sem cuidados há mais de seis meses. Que desalento! Isto não é nada animador, principalmente quando o espelho parece dizer isto tão silenciosamente.
Ainda estava lá, testemunha ocular de uma vida sem sentido. Via o entra e sai de pessoas de sua vida e as múltiplas caras que se olhavam naquele espelho e não se percebiam além de uma imagem, mas o seu dono não era igual. Ele era diferente... ele se via... ele se esforçava em não se preocupar com tudo que via, porém era mais forte do que ele.
O espelho guardava para si todas as sensações de impotência, envelhecimento, medo, amor, ódio, mágoa, desilusão (fato que desconhecia, pois compreendia a sua realidade), morte, vida, tudo. A frieza com que absorvia os sentimentos era comum à classe especular. O homem nunca poderia caracterizar um ser que absorve sem compreender sentimentos para não sentir, entretanto lá continuava ele, o espelho.
O homem deixou seu rosto de lado e desapareceu por um instante. Ergueu-se com ele molhado e sentiu-se renovado. Como se a esperança estivesse voltando em cada gotícula de água que escorria daquele rosto cansado. Tentava não pensar, tentava não se ver, tentava, então, fugir de sua realidade... tentava não encarar sua imagem no espelho...
Seria uma pessoa comum se não ligasse para estas coisas. Sempre teve complexos com espelhos. Tinha medo desde criança, achava que veria algum monstro ou o próprio demônio naquele portal dimensional, por isso evitava olhá-lo fixamente, principalmente à noite. Certa vez soube que uma mulher teria visto o diabo enquanto se maquiava e, a partir daí, negou-se a olhar no espelho mais do que o necessário. Nunca se adorou no espelho, sua vaidade se limitava a uma olhada para ver se havia pasta de dentes e remela nos olhos. Penteava seus cabelos e percebia pela sombra se estavam todas as mechas no lugar. O espelho não era seu amigo deveras, inimigo número um.
Acordava sempre cedo. Às 6:00 estava de pé no banheiro. Tomava banho e fazia suas necessidades fisiológicas pontuais. Escovava seus dentes, bocejava de sono e ia para o quarto. Claro, olhava-se de relance no espelho e certificava-se de que tudo estava certo. Ia para o quarto. Trocava sua roupa e ia em direção à cozinha. Morava sozinho, seu gênio era muito complicado e suas manias não muito aceitáveis para as mulheres que conhecia. Sua regularidade era insuportável. Era um solitário costumaz.
O café era forte e o gosto das rosquinhas da noite anterior ainda valia a pena. O calor do líquido descia aquecendo sua garganta e o doce das rosquinhas tornavam-no levemente amargo.
Após degustar o café matinal, ia novamente ao banheiro e mais uma vez encarava o espelho esperando alguma previsão fatalista, porém o que encontrava era uma boca salivante cheia de creme dental espumado. Cuspia, enquanto escovava seus dentes... Enxaguou com a água fria, secou-se com a toalha e deu mais uma olhadinha em sinal de despedida.
Era um ritual de 2 horas. Completou-se naquele dia no mesmo horário. O relógio digital piscava: 8:00. Era rotineiro, tão comum quanto o sol nascer por trás dos prédios do bairro onde morava. Saía de seu apartamento olhando para o chão de maleta na mão, não queria ver ninguém, apenas o reflexo e silhuetas lhe satisfaziam a curiosidade. Seu bom dia era um carrancudo sorriso sem graça de canto de boca. Enquanto as pessoas a sua volta se saudavam com largos sorrisos e bons dias, ele se limitava a observar e refletir sobre a falsidade humana. Introspectivamente, apesar de odiar o espelho, pensava nos comentários e na troca de confidências, nas quais seu companheiro refletor dizia que do ponto de referência especular a humanidade era hipócrita e sem sentido. Não compartilhava de sua opinião, mas ouvia com atenção e todas as vezes que via aquela cena pela manhã concordava.
Por que concordava? estariam se perguntando. Por que dava ouvidos àquele que odiava? A verdade é que nunca teve atritos com os vizinhos, entretanto os vizinhos que se saudavam todos os dias da mesma maneira eram os que mais discutiam por motivos fúteis. Portanto há razão na razão que aparentemente não existe.
Saía pela porta do prédio mudo como uma pedra. Seguia até o ponto de ônibus, calado e pensativo. Embarcava, sentava-se nas últimas poltronas e olhava vagamente pela janela. Não eram pessoas que via, era uma quantidade de seres em imagens deturpadas e sem rosto. Não conhecia ninguém que ali caminhava ao lado da janela. Todos em rosto.
Chegava em seu trabalho às 8:40. Alguns, persistentes, diziam-lhe algo parecido com um “bom dia”, outros se limitavam a murmurar qualquer coisa do tipo “que cara insuportável”, mas nada disso o incomodava ou comovia. Nada sentia, estava frio... Aproximava-se de sua mesa, sentava-se. Ajeitou-se na cadeira e olhou para a mesa demoradamente. Nada notou de diferente: papéis contendo gráficos financeiros, pastas amarelas aguardando análise e pareceres e a tela do computador aguardando ser acionada.
A tela preta do computador refletia seu rosto, ainda abatido. Era o espelho! Sua alma gelava toda vez que via sua imagem. Era uma loucura, uma obsessão, uma psicopatia... talvez sim, talvez não. O fato é que não agüentava ouvir a sua imagem divagando sobre o perfil humano das relações inumanas. Finalmente, a coragem apareceu do nada. Apertou o botão “Power” e ligou o computador. A imagem de seu reflexo tagarela parecia, então, sumir lentamente. Tentava resistir, entretanto a bela paisagem do fundo de tela fez desaparecer totalmente o reflexo.
“O dia vai ser cheio!” pensou e suspirou. Pegou os papéis, leu, assinou, digitou e divagou sobre as movimentações financeiras da empresa. Murmurou algumas conjecturas sem sentido e praguejou quando a caneta saltou-lhe das mãos em direção a lugar algum. Alguém, sem rosto, pega o objeto e devolve-lhe. Uma voz suave, toque gentil, cabelos longos, ondulados... Mas o rosto, não via o rosto... Ela... uma funcionária nova... agradeceu rapidamente e voltou a seus afazeres. Parou por um instante e voltou a pensar naquela voz. Voz angelical, corpo desejável, imaginava cada parte e se deliciava, contudo o rosto era igual a todos que via, uma grande figura oblonga sem identificação visual possível... Era como se todos usassem uma máscara branca sem olhos, boca, nariz ou expressão que tornasse possível uma identificação. Era assim que via todo mundo. Somente ele via seu próprio rosto. Somente ele.
O trabalho é a melhor forma de esquecer sua vida. Gastamos nossas energias e angústias da vida no trabalho. É um mundo agitado e diferente. Lá somos pessoas diferentes, funcionais e imprescindíveis. Tem aqueles que não gostam do que fazem e nesse caso o trabalho é um inferno. Mas o trabalho agradável é uma válvula de escape, uma fuga do mundinho doméstico de nossas vidas sem graça. A fuga, fugir de sua imagem, fugir do espelho que reside no banheiro, essa era a intenção. Aquela loucura acabava momentaneamente quando estava no trabalho, a não ser pela tela do computador, nada mais o incomodava.
Havia espelhos por toda parte. Havia imagens suas em todos os lugares, porém aquela multidão que passava tornava-os impessoais e menos confidentes. As pessoas que a ele fitavam não eram intencionais, buscavam atitudes sem sentido como o embelezamento do penteado ou uma simples conferência no visual casual, nada muito particular. Pode ser que todas aquelas pessoas tivessem algo com seus espelhos, pode ser... Entretanto ele tinha uma relação conflituosa. Quantas vezes sonhou (ou imaginou) quebrando aquele espelho em centenas de pedaços, quantas vezes visualizou este voando janela abaixo e tocando violentamente o chão e se evaporando? Nada disso fez. Covardia ou medo de ouvira verdade?
Na verdade todos nós temos medo de ouvir a verdade. Às vezes ela é muito dolorosa. O espelho sabia disso, mas não o poupava. Preferimos a ilusão do que a amarga realidade. A imagem refletida é uma prova disso. Uma crítica mal formulada e desabamos em nosso mundo interior. Muitas de nossas inimizades são construídas na nossa incapacidade de aceitar a verdade. A percepção do erro é algo intrínseco a esta falha de nosso caráter. Vemos aquilo que queremos ver...
O dia vai chegando ao fim e junto dele o expediente. O bolo de papéis diminuiu consideravelmente, o mundo parecia ser tão fácil desenhado em gráficos no papel. A vida era paradisíaca nas imagens do descanso de tela que se perdia em olhar de vez em quando. Por que nada daquilo podia ser real? Por que tudo que é belo deve ser uma galeria de fotografias espalhadas em outdoors, cartazes, fôlders, revistas, campanhas publicitárias, etc? Em tudo que via, as portas da desilusão o acompanhavam, sempre abertas... escancaradas, impiedosa. Ainda não compreendia por que ele tinha que ser daquele jeito. Tudo seria tão mais fácil se ignorasse!
Tudo ficou mais lento. O escritório estava fechando suas portas. Percebeu que era hora de ir embora para seu mundo. A voz suave soou-lhe mais uma vez e tornou a olhar aquele rosto inexpressivo. Imaginou uma longa conversa com esta mulher (Ineficaz!), sua imaginação terminava no momento dialógico em que ela se propôs a olhar em um pequeno espelho circular no alto do elevador. Ajeitou seus cachos e outros atos incompreensíveis da futilidade. Alguém gracejou e sussurrou algo em seu ouvido. Eles sorriram entre si. No canto observava. O seu desejo cessou repentinamente, a voz suave grasnava e o que parecia belo era feio. Afinal o que era uma beleza? Calculou a volta para casa assim que a porta do elevador se abriu. Todos passavam pela porta e dirigiam-se para a portaria, passavam o cartão magnético com códigos de barras (Identificação razoável para todos aqueles desprovidos de rosto) e iam para suas casas.
O mundo doméstico nada mais é do que nosso íntimo. Em nossa casa a lei que vigora é a nossa vontade. Tentamos fazer dentro dela tudo que não podemos fazer fora. O caos que lá reina é a nossa representação da organização universal. Assim tudo funciona quando se vive só. Seja numa prateleira organizada, seja nos livros empilhados de qualquer modo, tudo funciona do jeito que nós desejamos.
O trajeto de volta era o mesmo. Tudo que via parecia o inverso do que viu pela manhã (até mesmo as pessoas). Puxou a corda da campainha e desceu no ponto próximo de seu prédio. Ao aproximar-se deste, sentiu um desalento... como encarar o mundo que lhe dizia a verdade em capítulos seqüenciados dia após dia de sua existência? Como?
Subiu, olhou longamente para a porta de seu apartamento. Tirou as chaves (sentiu vontade de fugir, de não entrar lá), olhou para o corredor, primeiro para o lado direito, depois para o lado esquerdo. Desejou que alguém abrisse a porta e o convidasse a entrar, mas ninguém abriu... Nada aconteceu. Então, sentiu obrigado a virar a chave, abrir a porta e entrar. Acionou o interruptor e a luz se acendeu. Deixou a maleta no sofá e dirigiu-se ao banheiro.
Abriu a porta e parou em frente ao espelho disposto a enfrentá-lo em sua covardia. Gesticulou numa vaga tentativa de ligar a coragem como se liga a luz e nada conseguiu. O espelho o mostrava o quanto era impotente, o quanto era incapaz de enxergar o mundo a sua volta mas divagou sobre a dor que sentia em ver o que os outros não via. “O gênio da lâmpada” parecia dar-lhe o caminho... O que queria ver? O que não queria enxergar? O queria perceber? O que não queria olhar? Por que tantas indagações em sua mente? Era isso mesmo que queria? Um estalo... Escuridão e solidão... Silêncio...
Acordou em sua cama entre lençóis verdes, cobertor azul e listras vermelhas. O travesseiro macio o convidava a dormir mais um pouco, perdeu o horário. Levantou-se, bocejante, chegou ao banheiro e lavou o rosto. Olhou para o espelho e viu... nada... inexpressivamente nada. Escovou os dentes, penteou os cabelos, sorriu largamente e sentia-se bem, inexpressivamente bem. Tomou o café e foi trabalhar. Naquele dia os vizinhos o perceberam de modo estranho, quiseram não compreender, mas algo de diferente estava em seu rosto, uma sensação inexpressiva de vida, uma euforia desigual.
No trabalho a voz suave lhe cumprimentou e o seu rosto... seu rosto estava diferente. É impreciso definir o que estava diferente. O rosto dele, o rosto dela, se combinavam em olhares... estranhos olhares... Uma leve conversa sem sentido... toque de mãos, convite para um café durante o expediente. Ele mais solto, ela mais encantada. Ele... ela... a vida sem nexo. O mundo corria a sua volta e a verdade ficava cada vez mais perdida em seu íntimo. Escondida em seu inconsciente...
Estava sem rosto...
Este conto foi extraído do livro "O homem que briava com eseplhos". Se você gostou e quiser adquiri-lo, basta entrar em contato pelo e-mail: mboiuna@yahoo.com.br. Custa apenas R$ 1,00, preço de banana. Tudo pela divulgação do livro e da leitura.
quarta-feira, 11 de março de 2009
ROTEIRO PARA ESTUDO DOS FILMES
1- Ação: é a soma de gestos e atos desempenhados pelas personagens que compõem o enredo. Ela pode ser:
• Externa: uma viagem, o deslocamento de uma sala para outra, etc.;
• Interna: é toda a ação que se passa na consciência ou inconsciência de quem narra. Esse tipo de ação é própria das narrativas psicológicas ou introspectivas (veremos mais adiante).
2- Enredo: é sinônimo de história, trama, assunto, intriga.
O enredo pressupõe um nexo de causalidade entre os acontecimentos.
3- Personagem: são os seres fictícios construídos à imagem e semelhança dos seres humanos reais; são os que praticam as ações da narrativa: os agentes, portanto. Animais ou seres inanimados só são personagens quando têm características e ações humanas (personificação). As personagens, por conseguinte, representam pessoas: são os habitantes do mundo ficcional, seres que não existem no mundo real.
As personagens são classificadas quanto às ações que praticam e quanto à sua importância no enredo.
Tipos de personagens quanto às ações que praticam:
• Planas: sua personalidade não revela surpresa; são personagens estáticas, infensas à evolução. Subdividem-se em tipos (personagens excêntricas, exageradas, mas sem deformação) e caricaturas (personagens que tem características que provocam tamanha distorção que chegam a ser ridículas; são personagens cômicas);
• Redondas: apresentam várias qualidades ou tendências, repelindo todo o intuito de simplificação. São as personagens que surpreendem o leitor; são dinâmicas porque evoluem. Subdividem-se em caracteres (quando a complexidade se acentua, a mudança de personalidade é tal que gera no enredo conflitos indissolúveis) e símbolos (quando a complexidade parece ultrapassar a fronteira que separa o humano do mítico, o natural do transcendental. Capitu é um exemplo perfeito).
Tipos de personagens quanto à importância no enredo:
1- Personagens Principais:
• protagonista: herói ou heroína da trama (ou anti-herói), é aquela que ganha primeiro plano na narrativa; Existe também o anti-herói: aquela personagem que, apesar de ser carismática, é o oposto da nossa concepção primária de herói, entretanto não seria considerado um antagonista.
• antagonista: vilão, é o opositor ou oponente da protagonista (é o protagonista às avessas), aquele que cria os obstáculos da trama;
2- Personagens Secundárias:
• coadjuvante: é a personagem que está atuando ao lado (=aliada) da protagonista ou da antagonista, podendo ser humano ou não (uma fada, um objeto “encantado”, etc.)
• auxiliar ou árbitro ou juiz: é a personagem que funciona como um elemento decisivo dentro de um conflito, auxiliando a fazer ou a desfazer os obstáculos da trama, pendendo para a protagonista ou para a antagonista, respectivamente.
• figurativa: suas ações ou mera presença no enredo pouco ou em nada alteram os fatos da narrativa.
4- Tempo: é o elemento que ordena as ações na narrativa, encadeando-as e produzindo uma relação de causa-efeito entre elas.
• O tempo cronológico ou histórico é o mesmo do relógio, do calendário. É o tempo da narrativa linear (antes/depois).
• O tempo psicológico é o infenso a qualquer ordem. Os episódios são apenas justapostos, sem que haja entre eles qualquer vínculo lógico. É o tempo da narrativa psicológica ou intimista.
5- Espaço: é o lugar, o cenário onde as ações são feitas pelas personagens. Os espaços podem ser urbanos, naturais, o interior de uma casa, de um teatro, etc. Nas narrativas psicológicas, o espaço é a mente do narrador ou de uma personagem.
6- Narrador: é quem conta o enredo. Ele pode participar da história ou apenas ser um mero observador. Em alguns filmes percebemos a presença do narrador onipresente (e onisciente).
Narrativa em primeira pessoa:
• Narrador Protagonista (autodiegético): é o narrador que é também personagem protagonista;
• Eu como Testemunha (homodiegético): é o narrador que também é personagem secundária;
• Narrador onisciente intruso: é o narrador que conhece todos os demais elementos e que não é personagem; conta a história em primeira pessoa;
Narrativa em terceira pessoa:
• Narrador Onisciente Intruso Objetivo: é o narrador que conhece todos os demais elementos e que não é personagem; conta a história em terceira pessoa;
• Narrador Onisciente Neutro (heterodiegético): é o narrador observador, que não interfere na história em nenhum momento e que não conhece os fatos com antecedência (conhece no momento em que o fato acontece);
Narrativa sem narrador: as personagens agem por si. (não há ninguém contando a história, só o drama):
Elementos do filme (Síntese)
a) Enredo
— partes do enredo;
— conflito(s): o principal e os secundários.
b) Personagens
— quanto à caracterização:
planos: tipos/caricatura (há? quem são?);
redondos: características físicas, psicológicas, sociais, ideológicas, morais;
— quanto à participação no enredo protagonista: herói ou anti-herói; antagonista; personagens secundários.
c) Tempo
— época;
— duração;
— tempo cronológico ou psicológico (Procure justificar e exemplificar)
d) Ambiente (características)
— localização geográfica
—clima psicológico;
— situação econômico-política;
— moral/religião.
e) Narrador
—primeira ou terceira pessoa;
—variantes.
4.2. Tema — Assunto - Mensagem
4.3. Opinião crítica
Com base nos seus apontamentos, dê sua opinião crítica sobre o filme. Provavelmente você partirá de uma primeira impressão, mas não se esqueça de que, independente da opinião ser ou não favorável, você deve sustentar esta posição com argumentos lógicos e com dados tirados do filme e conhecimentos prévios próprios.
Não há limite de tamanho para uma opinião crítica (caso ela seja escrita). Tanto podem ser dez linhas como cem páginas, depende do grau de profundidade da análise.
5- Conclusão: é a síntese do trabalho, a verificação se o propósito a que se propuseram realizar foi cumprido, bem como da exposição das conclusões a que chegaram.
ROTEIRO PARA ANÁLISE DOS FILMES
Data: _____/______/______
1. FICHA TÉCNICA DO FILME:
Título do filme: __________________________________________________________________
Título original:___________________________________________________________________
Atores principais: ________________________________________________________________
Direção: ________________________________
Produção: ______________________________
Ano: ___________________________________
Duração: _______________________________
2. GÊNERO DO FILME:
( ) Histórico
( ) comédia
( ) ficção
( ) romance
( ) animação
( ) documentário
( ) drama
( ) suspense
( ) ação
( ) outros
3. A LINGUAGEM PREDOMINANTE É:
( ) formal
( ) informal
4. GRAU DE ENTENDIMENTO
( ) fácil
( ) razoável
( ) difícil
5. VALORES CINEMATOGRÁFICOS
Assinale com um X as letras O (ótimo), B (bom), M (médio), F (fraco) de acordo com seu
julgamento, em relação aos aspectos do filme:
Música ( ) O ( ) B ( ) M ( ) F
Fotografia ( ) O ( ) B ( ) M ( ) F
Cenários ( ) O ( ) B ( ) M ( ) F
Efeitos ( ) O ( ) B ( ) M ( ) F
Diálogos ( ) O ( ) B ( ) M ( ) F
Enredo ( ) O ( ) B ( ) M ( ) F
6. TEMAS ABORDADOS:
( ) Culturais
( ) Científicos
( ) Políticos
( ) Religiosos
( ) Psicológicos
( )Outros: __________, __________, ____________
7. PERSONAGENS:
Protagonistas e suas características:
Antagonistas e suas características:
Coadjuvantes e suas características:
8. ENREDO (SÍNTESE):
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
CONFLITO:
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
CLÍMAX:
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
EPÍLOGO:
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
9. ESPAÇO:
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
Características do espaço:
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
10. TEMPO:
( ) Cronológico
( ) Psicológico
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______________________________________________________________________________
11. IDÉIA OU MENSAGEM CENTRAL DO FILME:
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
12. CENA DE MAIOR IMPACTO. JUSTIFIQUE:
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______________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________
13. AVALIAÇÃO FINAL
( ) Ótimo ( ) Muito bom ( ) Bom ( ) Regular
14. COMETÀRIOS FINAIS E/OU SUGESTÕES:
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Figuras de Estilo
METÁFORA = significa transposição. Consiste no uso de uma palavra ou expressão em outro sentido que não o próprio, fundamentando-se na íntima relação de semelhança entre coisas e fatos. A metáfora é sempre uma imagem, isto é, representação mental de uma realidade sensível. É uma espécie de comparação latente ou abreviada. Por exemplo: Paulo é um touro.
COMPARAÇÃO = consiste em comparar dois termos, em que vêm expressos termos comparativos, constituindo-se em intermediário entre o sentido próprio e o figurado. Por exemplo: Paulo é forte como um touro.
METONÍMIA = significa mudança de nome. Consiste na troca de um nome por outro com o qual esteja em íntima relação por uma circunstância, de modo que um implique o outro. Há metonímia quando se emprega:
o efeito pela causa = Sócrates tomou a morte(= o veneno).
a causa pelo efeito = Vivo do meu trabalho(= do produto de meu trabalho).
o autor pela obra = Eu li Castro Alves(= a obra de Castro Alves).
o continente pelo conteúdo = Traga-me um copo d’água(= a água do copo).
a marca pelo produto = Comprei um gol(= carro).
o conteúdo pelo continente = As ondas fustigavam a areia(= a praia).
o instrumento pela pessoa = Ele é um bom garfo(= comilão).
o sinal pela coisa significada = A cruz dominará o Oriente(= Cristianismo).
o lugar pelo produto = Ele só fuma Havana(= cigarro da cidade de Havana).
SINÉDOQUE = consiste em alcançar ou restringir a significação própria de uma palavra. É o emprego do mais pelo menos ou vice-versa, isto é, a troca de um nome pelo outro de modo que um contenha o outro.
a parte pelo todo = No horizonte surgia uma vela(= um navio).
o todo pela parte = O mundo é egoísta(= os homens).
o singular pelo plural = O homem é mortal(= os homens).
a espécie pelo gênero = Ganhei o pão com o suor do rosto(= alimento).
o indivíduo pela classe = Ele é um Atenas(= cidade culta).
a espécie pelo indivíduo = No entender do Apóstolo…(São Paulo).
a matéria pelo instrumento = Ela possui lindos bronzes(= objetos).
o abstrato pelo concreto = A audácia vencerá(= os audaciosos).
CATACRESE = é o desvio da significação de uma palavra por outra, ante a inexistência de vocábulo apropriado. Origina-se da semelhança formal entre dois objetos, dois seres. É uma metáfora estereotipada. Por exemplo: Dente de alho; pernas da mesa.
ELIPSE = é a omissão de um termo da frase facilmente subentendido. Por exemplo: "Na terra tanta guerra, tanto engano, tanta necessidade aborrecida, no mar tanta tormenta e tanto engano"(Camões). Os casos mais comuns são de verbos(ser e haver), a conjunção integrante(que), a preposição(de) das orações subordinadas substantivas indiretas e completivas nominais, sujeito oculto.
ZEUGMA = é a omissão de um termo já expresso anteriormente na frase. Por exemplo: Nem ele entende a nós, nem nós a ele.
PLEONASMO = consiste na repetição de uma mesma idéia por meio de vocábulos ou expressões diferentes. Por exemplo: Resta-me a mim somente uma esperança.
POLISSÍNDETO = é a repetição de uma conjunção. Por exemplo: E rola, e rebola, como uma bola.
ANACOLUTO = consiste na interrupção do esquema sintático inicial da frase, que termina por outro esquema sintático. Por exemplo: Este, o rei que têm não foi nascido príncipe(Camões).
ONOMATOPÉIA = consiste no uso de palavras que imitam o som ou a voz natural dos seres. Graças a seu valor descritivo, é também excelente subsídio da linguagem afetiva. Por exemplo: Os sinos bimbalhavam ruidosamente.
RETICÊNCIA = consiste na proposital suspensão do pensamento, quando se julga o silêncio mais expressivo que as palavras. Por exemplo: Nós dois … e, entre nós dois, implacável e forte.
SILEPSE = concordância ideológica. A concordância não é feita com o elemento gramatical expresso, mas sim com a idéia, com o sentido real.
A silepse pode ser: de gênero = Vossa Majestade mostrou-se generoso. (V.Majestade = feminino e generoso = masculino); de número = O povo lhe pediram que ficasse. (o povo = singular e pediram = plural); de pessoa = Os brasileiros somos nós.(os brasileiros = 3ª pessoa e somos = 1ª pessoa).
ANTÍTESE = consiste na exposição de uma idéia através de conceitos ou pensamentos opostos, quer fazendo confrontos, quer associando-os. Por exemplo: Buscas a vida, e eu a morte; procuras a luz, e eu as trevas.
IRONIA = consiste no uso de uma expressão, pela qual dizemos o contrário do que pensamos com intenção sarcástica e entonação apropriada. Por exemplo: A excelente D. Celeste era mestra na arte de judiar dos alunos.
EUFEMISMO = consiste no uso de uma expressão em sentido figurado para suavizar, atenuar uma expressão rude ou desagradável. Por exemplo: Ficou rico por meios ilícitos(= roubou).
HIPÉRBOLE = consiste em exagerar a realidade, a fim de impressionar o espírito de quem ouve. Por exemplo: Ele se afogava num dilúvio de cartas.
PROSOPOPÉIA = consiste na personificação de coisas e evocação de deuses ou de mortos. Por exemplo: As estrelas disseram-me: aqui estamos.
ANTONOMÁSIA = substituição de um nome próprio por um nome comum, por uma apelido ou por um título que tornou a pessoa conhecida. Por exemplo: O Mártir da Inconfidência (para Tiradentes).
PERÍFRASE = rodeio de palavras, circunlóquio: por exemplo: A mais antiga das profissões (a prostituição).
SINESTESIA = figura que se baseia na soma de sensações percebidas por diferentes órgãos dos sentidos. Por exemplo: A ondulação sonora e táctil entrava pelos meus ouvidos.
PARADOXO = expressão contraditória. Por exemplo: Ia divina, num simples vestido roxo, que a vestia como se a despisse(Raul Pompéia).
APÓSTROFE = é uma invocação, um chamado emotivo. Por exemplo: Deuses impassíveis… Por que é que nos criastes?(Antero de Quental).
GRADAÇÃO = é a disposição das idéias numa ordem gradativa. Por exemplo: Homens simples, fortes, bravos… hoje míseros escravos sem ar, sem luz, sem razão…(Castro Alves).
ASSÍNDETO = é a ausência de conectivos numa seqüência de frases. Por exemplo: Destrançou os cabelos, soltou-os, trançou-os de novo(Pedro Rabelo).
HIPÉRBATO = é uma inversão dos termos da frase, uma alteração na ordem direta. Por exemplo: Já da morte o palor me cobre o rosto(Álvares de Azevedo).
ANÁFORA = é a repetição de um termo no início das frases ou versos. Por exemplo: Tem mais sombra no encontro que na espera. Tem mais samba a maldade que a ferida(Chico Buarque de Holanda).
ALITERAÇÃO = é a repetição de sons consonantais iguais ou semelhantes. Por exemplo: E as cantilenas de serenos sons amenos fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos(Eugênio de Castro).
ASSONÂNCIA = é a repetição de sons vocálicos iguais ou semelhantes. Por exemplo: Até amanhã, sou Ana da cama, da cana, fulana, sacana(Chico Buarque de Holanda).
PARANOMÁSIA = é o encontro de duas palavras muito semelhantes quanto à forma. Por exemplo: Ser capaz, como um rio, (…) de lavar do límpido a mágoa da mancha(Thiago de Mello).
Fonte: http://www.micropic.com.br/noronha/grama_fig.htm
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Autores contemporâneos
http://www.sobresites.com/poesia/contemp1.htm
e
http://www.sobresites.com/poesia/contemp2.htm
Na parte de tópicos há muita coisa boa no campo da Literatura.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
1º Bimestre - Literatura
Visitem meu Blog!!!
http://tatatingadepitibau.blogspot.com/
Visitem e façam comentários e, se gostarem, indiquem ele para seus amigos.
Yratã G. Mendes
Poemas:
VAZIO URBANO
Um envelope,
Jornais velhos,
Papéis espalhados,
Cigarros usados,
Garrafas vazias,
Almas vazias,
Locuções ocas,
Ocos ocos...
Amarelam-se os dentes
Da boca da noite,
Cerrada e enfumaçada...
21
Embranquece-se o sol noturno
Que parte a madrugada
E lá no canto do bueiro
Jaz seu coração,
Partido, gélido,
Sujo e maltrapilho
Em lágrimas afogado
Na rua mal varrida
Da ilusão acabada...
Arnaldo Antunes
Poemas:
As coisas têm peso,
massa,
volume,
tamanho,
tempo,
forma,
cor,
posição,
textura,
duração,
densidade,
cheiro,
valor,
consistência,
profundidade,
contorno,
temperatura,
função,
aprência,
preço,
destino,
idade,
sentido.
As coisas não têm paz.(Arnaldo Antunes in "as coisas" Ed. Iluminuras 1993)
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí
pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some
a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve
já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora
(in o carioca - revista de arte e cultura nº 2/ julho e agosto 1996)
Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arnaldo_Antunes
http://www.revista.agulha.nom.br/aantu03.html
http://www.revista.agulha.nom.br/aantu01.html
Lindolf Bell
Poemas:
Legado
Deixarei por herança
não o poema
mas o corpo no poema
aberto aos quatro ventos
Pois todo poema
é verde e maduro,
em areia movediça
de angústia, solidão
Onde me debato
ainda que finja o contrário
em busca da verdade
e seu chão
Deixarei por herança
não o poema
Mas o corpo repartido
na viagem inconclusa
Pois todo o poema maduro
é um verde poema
E, mesmo acabado,
se estriba na inconclusão
Claro, sem esquecer,
o estratagema da paixão
Réquiem
Não escreverei sobre ausências.
Ausência é bandeira de nada.
É ter partido
em direção de um país sem lodo nem lama.
Onde a identidade se faz de afeto.
E a dúvida é poço entreaberto
e o coração um fruto de semente madura.
Ausência é só lembrar, é só lembrar!
Ausência é só lume de esquecimento.
É só limo de eternidade.
É só flor de certeza e agonia.
Só o corpo impedido, só surdo desejo,
só pele mudada em terra,
só tempo feito areia.
Ausência é só lembrar, é só lembrar!
Fontes:
http://www.lindolfbell.com.br/
Affonso Romano Sant'Anna
Poemas:
Limites do Amor
Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeça de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.
O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, em empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:
- ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.
O Duplo
Debaixo de minha mesa
tem sempre um cão faminto
-que me alimenta a tristeza.
Debaixo de minha cama
tem sempre um fantasma vivo
-que perturba quem me ama.
Debaixo de minha pele
alguém me olha esquisito
-pensando que eu sou ele.
Debaixo de minha escrita
há sangue em lugar de tinta
-e alguém calado que grita.
Fontes:
http://www.geocities.com/artuso.geo/index.html
http://www.geocities.com/artuso.geo/poesias.htm
Valéria Tarelho
Poemas:
[sem título]
falhas, filhos, folhas
: não fossem as vogais
daria tudo na mesma
quase todo mundo tem
uma resma de problemas
desgarrada
sou a ovelha negra da família
a única que urra
late mia
lambe as próprias feridas
cicatriza sozinha
- enquanto o rebanho
diz amém a tudo
com balido -
cor de rosa choque
cheia de indiretas
indiscreta [na medida]
ousada [e daí?]
se preciso vou à luta
armada de meu veneno
:
inócuo para uns
estonteante para poucos
letal para quem for louco
de pisar em mim
[no fundo camuflo
um puta medo
de ser feliz]
quae sera tamen
arraigado em mim
há um bicho arredio
acuado no tédio
urrando liberdade
ainda que poesia
Fontes:
http://v-tarelho.sites.uol.com.br/
http://v-tarelho.sites.uol.com.br/poemas.htm
Visitem seu blog (http://valeriatarelho.blogspot.com/) e sua comunidade no Orkut (http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=3799524).
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
LITERATURA CONTEMPORÂNEA
A literatura contemporânea, que alguns chamam de pós-moderna, é resultado das grandes mudanças ocorridas da metade do século XX para cá. Desde os anos 50, houve no mundo todo, profundas transformações na economia, na política e, especialmente, na área tecnológica. Evidentemente, tudo isso se refletiu nas artes em geral.
Na literatura contemporânea há uma grande mistura de tendências que conserva muito do Modernismo, tanto nas artes plásticas quanto na literatura. Hoje, o dia-a-dia das pessoas é invadido pela tecnologia de massa – TV, computador, telefonia celular – o que provocou o que alguns estudiosos a chamar o mundo de “uma grande aldeia global”. Mas, por paradoxal que possa parecer, convive-se ainda com um contingente de pessoas que não tem acesso aos meios mais simples de comunicação, os chamados “excluídos digitais”.
A literatura contemporânea, assim, demonstra a intertextualidade desta mistura dos meios de comunicação, incorporando suas técnicas. Nela estão presentes também a liberdade formal, humor, captação do cotidiano e cenas da vida urbana. A linguagem na literatura contemporânea é próxima do coloquial e o vocabulário é bem simples.
Na literatura contemporânea, há eliminação das fronteiras entre o erudito e o popular, o que permite a valorização da arte popular feita por pessoas simples, oriundas das classes mais baixas da população.
O que era considerada “cultura regional”, com a literatura contemporânea passa a ser vista como produção artística de qualidade tão boa e importante como a dos artistas considerados consagrados, motivo de valorização e reconhecimento nos meios acadêmicos.
Fonte: http://www.literaturaepoesia.com/literatura-contemporanea.php
Embora o mundo tenha se tornado “uma grande aldeia global” e as distâncias na comunicação encurtadas pelo mundo virtual, as pessoas, cada vez mais individualizadas começam a sofrer com o afastamento causado pela distância virtual. Mais e mais pessoas se isolam num comportamento solitário de se comunicar através de recursos tecnológicos e sem sair de casa. É o paradoxo da comunicação da nova era: aproximar as pessoas para afastá-las.
Assim, podemos deduzir algumas características desta literatura contemporânea:
- Intimista
Há a necessidade de se expressar o que é íntimo. Seus sentimentos, seus anseios, suas aflições, suas vontades e sua alma são próprias e nada nos torna mais humanos do que estas particularidades. Assim, não nos tornamos padronizados e a arte pode tratar disto sem pudor algum demonstrando com fidelidade a alma humana.
- Urbana
A preocupação com o mundo urbano tornou-se objetivo desta literatura. Os problemas sociais, políticos, econômicos, etc., são comuns nas narrativas e poemas atuais. A preocupação com o puramente regional cede espaço para os temas que são comuns nas cidades: violência, drogas, pobreza, exclusão, solidão, entre outros.
- Política
O Modernismo apontou o caminho das pedras numa literatura participativa (engajada) e crítica. Esta hoje é ainda mais crítica e com uma participação sócio-política ainda mais atuante e profunda.
- Esotérica e de auto-ajuda
Com a individualidade vem a solidão. Da solidão vem o vazio. Se o vazio e a sensação de inutilidade se fizerem parceiras a religião pode ser o caminho. Porém se as religiões seculares não forem suficientes, há espaço para alternativas como o esoterismo. E, para aqueles que ainda não se satisfazem por estarem deprimidos e frustrados, há os manuais para a vida, os livros de auto-ajuda, ultimamente, são best-sellers em livrarias.
- Ficção fantástica
Para fugir da realidade, a literatura fantástica toma espaço não mais só entre o público infanto-juvenil, mas entre adultos. Mundos paralelos, seres mitológicos, seres fantásticos e pessoas com poderes maravilhosos são elementos que compõem estas obras. A necessidade do sonho em meio à dura realidade que nos envolve é bem evidente. Contos de fadas para adultos tornaram-se necessários.
- Uso de tecnologia para expressão
A arte ultrapassa seus limites ao agregar-se à informática. Livros eletrônicos (e-books) e poemas animados e interativos com recursos flash abrem espaço para a literatura digital. E isto é matéria para ser vista depois e na prática.
Autores (que iremos ver):
Afonso Romano Sant’Anna
Valéria Tarelho
Arnaldo Antunes
Lindolf Bell
Yratã G. Mendes
Há muitos autores, basta vasculhar a internet e vocês terão uma lista quase infindável de novos autores produzindo obras para a contemporaneidade.

