Uma crônica que demorei
em fazer
Alídio Monferdini Neto
Segunda-feira, já passa das nove horas da noite, aula de
Língua Portuguesa.
Assunto: crônicas. Ah! Não demorou muito e a professora
logo tascou um exercício para casa. _“Queridos alunos, quero que vocês
façam uma crônica sobre um assunto de livre escolha de vocês. Entreguem na
próxima aula. Boa Semana, tchau!”
Terça-feira e nem havia pensado em um assunto. Na verdade,
para quem estuda Jornalismo, o fato de não ter um tema em mente incomoda
bastante. No entanto, todos os universitários têm muitos assuntos pela mente,
assuntos diversos, misteriosos, engraçados. Mas nem sempre estes são temas
esperados pela professora em uma crônica.
Era mês de Páscoa. Legal!! Farei sobre a fé cristã. Não, isso
é muito denso, difícil. Então porque não fazer sobre os chocolates? Que
alívio!! Que isso seja feito, para não perder um ponto precioso na matéria. Que
isso seja feito, para não ser o único da sala que, poxa, não entregou a
atividade no prazo. Previsível demais, a maioria dos colegas fez sobre esse
assunto. E eu achava que havia sido brilhante. Posso garantir que, como todo
“bom aluno de faculdade”, passei toda a semana sem me lembrar de fazer essa
crônica e, para não ser diferente, tive exatamente a mesma idéia dos outros
colegas a respeito do tema.
Durante os outros dias da semana, na sala de aula, ninguém
mais falava sobre o assunto, possivelmente nem se lembrava.
No fim de semana, para todos os jovens universitários, fica
determinado que se faça o quê? Tudo! Tudo mesmo! Menos uma crônica. As professoras
da segunda-feira ficam bravas, pois grande parte dos alunos não faz, não
entrega, não imprime as atividades durante o fim de semana. E, sem dúvida,
sempre se ouve: “Nem a pesquisa, Joãozinho?”; “Seu trabalho vai valer menos!”;
“Isso é irresponsabilidade!” Segunda-feira próxima, dia da entrega.
É, foram muitas as alegrias no final de semana, mas posso
garantir que durante toda a semana, foi tudo muito corrido e
cheio de trabalhos. Temos diversas matérias para estudar, provas, pesquisas,
livros. Temos trabalhos fora da faculdade também e compromissos pessoais. Isso
nos faz esquecer ou deixar pra depois a nossa obrigação acadêmica (é o que não
falta em jornalismo!).
Será que todos os professores são iguais? Enfim, somos jovens
e estudantes, e só por que não fazemos as lições de casa todos os dias, eles
pensam que não levamos a sério o estudo. Levamos sim, do nosso jeito. Do
meu jeito, pelo menos.
Momento da entrega. E aí, será que essa crônica está certa?
Será que arrumei um tema legal? Aliás, qual foi o meu assunto?
Ao reler essa crônica penso: não era para ser assim. Era para
pegar um assunto super interessante e deixar a professora boquiaberta.
Boquiaberta ela está sim, mas com os sabe-se lá quantos dias ultrapassei o
prazo estabelecido pela querida professora para a entrega do exercício de
crônica. Tenho tantas tarefas para fazer, sou muito ocupado. E o que vocês e a
professora têm a ver com isso?
Que cada um dê um jeito em sua própria vida, organize-se. Minha crônica
saiu e ainda por cima é metalingüística!! Crônica que fala de Crônica.
É, e que assim seja feito, caros amigos
universitários. Façam de tudo, mas façam! Não se esqueçam das leituras,
pesquisas, atividades complementares, produção de texto, resenhas, resumos...

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